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Direito Penal · SELECON · 2023

Questão comentada de Direito Penal

Luvanor, guarda municipal, vê Menelau danificar voluntária e conscientemente um veículo pertencente ao poder público municipal, capturando-o em flagrante delito. Por saber que Menelau é pessoa violenta e temendo sofrer represálias futuras, Luvanor, no momento da captura, deixa de se identificar ao conduzido. Nesse contexto, Luvanor:

Gabarito: C

A Lei de Abuso de Autoridade, em regra, não pune simples erro, desatenção ou cautela pessoal. Ela exige dolo específico: a conduta precisa ser praticada com a finalidade de prejudicar outrem, beneficiar a si ou a terceiro, ou por mero capricho ou satisfação pessoal, como prevê a Lei 13.869/2019, especialmente no art. 1º, §1º. No caso, Luvanor até deixa de se identificar ao conduzido, mas faz isso por medo de represálias futuras, porque sabe que Menelau é violento. Ou seja, falta o “tempero” que transforma a conduta em abuso: não há vontade de humilhar, prejudicar ou se promover. Há, no máximo, uma escolha prudencial discutível, mas não o especial fim de agir exigido pela lei penal. Por isso o gabarito é a letra C. Em Direito Penal, se a lei pede finalidade específica e ela não aparece, o fato fica fora do tipo penal. É aquele velho lembrete de prova: nem toda conduta funcional irregular vira crime de abuso de autoridade. Às vezes, a prova tenta vender como crime algo que é só comportamento sem o dolo exigido. Então, aqui o ponto decisivo é este: sem o dolo específico, não há abuso de autoridade. A conduta pode até ser criticável sob o ponto de vista administrativo ou disciplinar, mas não fecha o tipo penal.

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