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Direito Penal · NC-UFPR · 2021

Questão comentada de Direito Penal

Examine o caso hipotético narrado a seguir: A.A. saiu de uma festa um pouco sonolento, pretendendo ir para casa conduzindo sua motocicleta. Na ocasião, foi advertido pelo sujeito B.B., que disse: “pilotando neste estado você pode matar alguém”. A.A., porém, afirmou que estava em condições de evitar qualquer acidente, até porque as ruas estariam quase desertas e o vento no rosto o manteria acordado. Afirmou, ainda, que não se arriscaria a sofrer um acidente, porque de moto “o para-choque era ele mesmo”. No trajeto para casa, porém, por estar com os reflexos mais lentos,A.A. não percebeu um pedestre que atravessava a rua e o atropelou, causando-lhe a morte. Embora tenha ficado bastante ferido, A.A. sobreviveu ao acidente e foi acusado de cometer crime. A partir das noções de dolo e culpa aplicadas ao caso, é correto afirmar que A.A. agiu com:

Gabarito: D

Aqui a chave da questão é separar dolo eventual de culpa consciente. No dolo eventual, o agente prevê o resultado e, mesmo assim, assume o risco de produzi-lo, como quem diz internamente: “se acontecer, paciência”. Já na culpa consciente, o agente também prevê o resultado, mas acredita sinceramente que ele não vai ocorrer, confiando demais na própria habilidade ou na sorte. Ou seja: ele enxerga o perigo, mas acha que vai dar conta. Essa diferença é clássica na doutrina penal e aparece muito em provas. No caso, A.A. sabia que estava sonolento, foi advertido por B.B. e ainda assim decidiu pilotar. O ponto decisivo é que ele não se conformou com a morte de alguém; ao contrário, afirmou que conseguiria evitar acidente, porque as ruas estariam quase desertas e o vento o manteria acordado. Isso mostra que ele previu o risco, mas subestimou o perigo e confiou que nada aconteceria. Esse é o retrato típico da culpa consciente. Por isso, o gabarito é a letra D. O resultado morte foi previsto, mas não assumido. Em linguagem de prova: previsão do resultado sem aceitação do resultado. O Código Penal não define expressamente dolo eventual e culpa consciente, então a distinção vem da doutrina e é muito cobrada em casos práticos como este. A letra D também combina com a ideia de imprudência: o agente conhece o risco, mas age levianamente, achando que está no controle. É o clássico “vai dar certo”, que o Direito Penal costuma tratar como culpa consciente, não como dolo.

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