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Direito Penal · Instituto AOCP · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Fátima é investigadora da Polícia Civil de Aparecida de Goiânia-GO e encarregada de apurar determinado fato de homicídio ocorrido na periferia da cidade. Segundo o relatado, um homem de meia-idade, atuante como agiota, matou uma mulher em razão do não pagamento de dívida vencida. Fátima recomenda então que a autoridade policial promova representação judicial pela prisão preventiva do agiota, por ter ele cometido crime hediondo, qual seja, feminicídio. Sobre esse contexto, assinale a alternativa correta.

Gabarito: E

Aqui a chave é não cair no “nome bonito” do fato e olhar a motivação real. Feminicídio, no Código Penal, é homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, o que ocorre quando há violência doméstica e familiar ou menosprezo/discriminação à condição de mulher (art. 121, §2º, VI e §2º-A, do CP). Sem isso, não basta a vítima ser mulher para virar feminicídio. No caso, o que aparece no enunciado é a cobrança de dívida por um agiota, com morte por não pagamento. Isso aponta para outra lógica: motivo patrimonial/torpe, e não para discriminação de gênero. Então a investigação poderia, em tese, caminhar para homicídio qualificado por motivo torpe, mas não para feminicídio. Também não é latrocínio, porque o texto não fala em subtração de coisa alheia móvel com morte. Latrocínio é roubo seguido de morte, e aqui o foco é cobrança de dívida, não roubo. Ou seja: o rótulo do crime depende do contexto e do motivo, não apenas do resultado fatal. Por isso o gabarito E está correto: a condição de gênero não motivou o ato do agiota. Sem a razão ligada ao sexo feminino, não há feminicídio, ainda que o fato seja gravíssimo e possa configurar homicídio qualificado por outro fundamento.

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