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Direito Penal · Instituto AOCP · 2021

Questão comentada de Direito Penal

André cumpre pena em estabelecimento prisional em razão de condenação transitada em julgado pela prática do crime de peculato. Carlos, já condenado em primeira instância, responde em liberdade, em grau de recurso, perante o Tribunal de Justiça do Pará, pela suposta prática do crime de peculato. Advém que entrou em vigor nova lei penal que extirpou do ordenamento jurídico o crime de peculato, ocorrendo a abolitio criminis. Considerando as situações hipotéticas narradas, assinale a alternativa correta.

Gabarito: E

A abolitio criminis acontece quando uma lei nova deixa de considerar crime uma conduta que antes era punida. Nesse caso, a regra é generosa: a lei penal mais benéfica retroage, mesmo para alcançar fatos antigos, processos em andamento e condenações já definitivas. Isso vem do artigo 2º, parágrafo único, do Código Penal, e da ideia constitucional de retroatividade da lei penal mais benéfica. Então, no caso de André, que já cumpre pena com sentença transitada em julgado, a mudança deve ser reconhecida pelo Juízo das Execuções Penais, porque é ele quem acompanha e faz cessar a execução da pena. Já em relação a Carlos, que ainda discute a condenação em grau de recurso, quem analisa a questão é o Tribunal de Justiça, pois o processo ainda está sob sua apreciação. Um ponto importante: a abolitio criminis faz cessar a execução da pena e os efeitos penais da condenação. Ela não apaga automaticamente todos os efeitos civis do fato, porque a responsabilização civil segue sua lógica própria. Em provas, porém, o foco costuma ser a extinção da punibilidade e a competência de quem vai declarar isso. Resumindo com carinho de concurso: lei mais benéfica retroage, inclusive para sentença definitiva. O que muda é apenas quem decide em cada fase do caso. Por isso, a alternativa correta é a que separa a competência do Tribunal para Carlos e do Juízo das Execuções para André.

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