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Direito Penal · IDECAN · 2021

Questão comentada de Direito Penal

Raíssa, penalmente imputável de 20 anos, reside com a mãe, Lourdes, de 45 anos. Aproveitando-se da desatenção de sua genitora, Raíssa subtrai da carteira da mãe a quantia de R$5.000,00 (cinco mil reais). Nessa hipótese, assinale a alternativa correta.

Gabarito: C

Aqui a palavra-chave é escusa absolutória. No Direito Penal, quando o crime patrimonial é praticado em prejuízo de ascendente ou descendente, a lei afasta a pena em certas hipóteses. Isso está no art. 181, I, do Código Penal, que diz ser isento de pena quem comete crime patrimonial contra ascendente ou descendente, desde que não haja violência ou grave ameaça. No caso, Raíssa tem 20 anos, é penalmente imputável e subtraiu dinheiro da carteira da própria mãe. Isso configura, em tese, furto, porque houve subtração de coisa alheia móvel sem violência. Só que, por ser crime patrimonial cometido contra ascendente, incide a escusa absolutória do art. 181, I, do CP. Resultado prático: o fato continua sendo típico e ilícito, mas a lei impede a aplicação de pena. Ou seja, não é caso de “ganhar desconto”, nem de mudar o crime para apropriação indébita ou estelionato. A solução é mesmo a isenção de pena prevista em lei. Em prova, guarde a lógica: se for crime patrimonial contra pai, mãe, filho, avó, neto etc., sem violência ou grave ameaça, a tendência é cair na escusa absolutória. É o clássico “o Direito Penal entra, olha a cena, e diz: aqui não vou punir”.

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