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Direito Penal · IBADE · 2023

Questão comentada de Direito Penal

José Maria, servidor público, chefe da Unidade de Licitações, por indulgência, deixou de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo. De acordo com o Código Penal, é possível afirmar que José Maria cometeu:

Gabarito: E

Aqui o ponto central é um crime funcional praticado por servidor público contra a Administração: a condescendência criminosa. O Código Penal, no art. 320, pune o servidor que, por indulgência, deixa de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo, ou até de levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. Ou seja: existe uma “passada de pano” funcional, mas a lei não deixa isso barato. Repare na palavra-chave do enunciado: por indulgência. Isso é praticamente a senha do art. 320 do CP. O chefe conhece a infração do subordinado, mas, por benevolência, deixa de agir como deveria. Não se trata de receber vantagem, exigir pagamento, nem de usar o cargo para defender interesse privado. Por isso, o gabarito é a letra E. O tipo penal é bem específico: servidor público que, por indulgência, deixa de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo. A doutrina costuma destacar que é um crime omissivo próprio e funcional, ligado à quebra do dever de disciplina e hierarquia administrativa. Então, quando a banca joga a ideia de chefe, subordinado e indulgência, você já acende a luz do art. 320. É a clássica hipótese de tolerância indevida com a falta funcional alheia, exatamente o que o Código Penal chama de condescendência criminosa.

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