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Direito Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Penal

1º cenário: em 01/04/2023, em razão de circunstâncias extraordinárias e de forma fundamentada, foi editada, pelo Congresso Nacional, uma lei penal excepcional. 2º cenário: em 01/04/2023, em razão de circunstâncias pontuais e de forma fundamentada, foi editada, pelo Congresso Nacional, uma lei penal temporária. Nesses cenários, à luz das disposições do Código Penal, é correto afirmar que os fatos praticados durante a vigência da lei penal excepcional:

Gabarito: D

As leis penais excepcionais e temporárias têm um tratamento especial no Código Penal. A regra está no art. 3º do CP: "A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência." Em outras palavras, se o fato aconteceu enquanto a lei estava valendo, ela continua regendo aquele caso depois, mesmo que a situação extraordinária tenha passado ou o prazo tenha acabado. Isso é uma exceção importante à lógica da ultratividade benéfica. Aqui, o legislador quer evitar que a pessoa aproveite o fim da crise ou do prazo para escapar da disciplina que valia no momento do fato. A lei pode até deixar de existir para o futuro, mas continua "grudada" nos fatos praticados sob sua vigência. Por isso, no 1º cenário, a lei penal excepcional continua incidindo sobre os fatos praticados durante sua vigência, ainda que as circunstâncias que a motivaram tenham cessado. No 2º cenário, a lei penal temporária também se aplica aos fatos praticados enquanto estava em vigor, mesmo depois do fim do prazo de duração. O gabarito D está correto porque repete exatamente a disciplina do art. 3º do Código Penal para as duas espécies de lei: excepcional e temporária. A banca costuma cobrar esse detalhe com uma casca de banana clássica: confundir essa ultratividade específica com a regra geral da lei penal mais benéfica.

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