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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Enfurecido com a infidelidade de Lia, sua noiva, Rui decide ir, à noite, ao apartamento dela para confrontá-la. Ao avistar, na rua, um carro quase idêntico ao de Lia, Rui toma uma pedra e inscreve insultos contra ela na lataria do veículo. Enquanto riscava a pintura, Rui constata que a placa do veículo não corresponde à do carro de Lia. Com base nesse caso, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Aqui vale separar duas coisas que a banca adora misturar: erro sobre o objeto e erro na execução. No caso, Rui queria danificar um carro que ele imaginava ser o de Lia. Quando percebeu que a placa era diferente, isso não apaga o dolo que já existia no momento da conduta. Ele sabia que estava riscando um carro alheio e quis praticar o dano, então não há espaço para transformar isso em fato atípico. No crime de dano, o elemento central é destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. A identidade exata do bem não é o ponto decisivo, desde que o agente atue com vontade de lesar o objeto material típico. Por isso, o erro sobre qual veículo era, em si, não exclui a tipicidade nem o dolo. A alternativa correta acompanha essa lógica: o equívoco na identificação do automóvel não faz o fato deixar de ser típico. Em doutrina, isso se aproxima do chamado erro sobre o objeto, que em regra é juridicamente irrelevante quando não altera a estrutura do tipo penal nem a vontade de praticar o delito. Já a culpa, a inimputabilidade, a diminuição por erro na execução e a exclusão da culpabilidade não se encaixam aqui. Rui não agiu por descuido, não houve aberratio ictus, e muito menos uma causa de exclusão da culpabilidade. Foi um dano doloso, com um alvo trocado no detalhe, não na essência.

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