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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Esteban, jovem graduando em Direito, viaja com a associação atlética de sua universidade para festividades em cidade do interior do Estado. Em meio às confraternizações, substância entorpecente é oferecida a Esteban por seus colegas. A fim de superar sua timidez, o agente aceita consumir as referidas drogas, atingindo embriaguez completa. Ao recobrar os sentidos, Esteban tinha em sua posse um relógio que furtou naquela noite, tendo os colegas lhe contado que havia também agredido alunos da universidade rival, invadido domicílio e praticado crime de dano aos pertences dos citados alunos. Acerca da culpabilidade e da teoria da actio libera in causa, é correto afirmar que:

Gabarito: E

A ideia central aqui é simples: no Direito Penal brasileiro, a embriaguez nem sempre salva o agente de responsabilidade. O art. 28 do Código Penal deixa claro que a embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade, e isso conversa diretamente com a teoria da actio libera in causa. Em outras palavras: se a pessoa, livremente, decide beber ou se drogar e depois pratica o crime em estado de intoxicação, o Direito olha para o momento anterior, quando ela ainda tinha autodeterminação. É por isso que o ponto importante da prova é o momento em que Esteban resolveu consumir a substância. Como ele aceitou usar a droga de forma voluntária, não pode depois invocar a embriaguez completa para escapar da responsabilidade pelos fatos praticados nesse contexto. A lógica da actio libera in causa evita justamente essa “blindagem penal” por intoxicação voluntária. A única situação em que a embriaguez pode realmente afastar ou atenuar a responsabilidade é quando for completa e decorrente de caso fortuito ou força maior, hipótese em que o art. 28, §1º, do CP permite isenção de pena. Já na embriaguez voluntária, culposa ou preordenada, o agente continua respondendo pelos atos, porque a análise da culpabilidade recua para o instante em que houve a decisão livre de se colocar nesse estado. Por isso o gabarito é a alternativa E: ela resume corretamente a regra legal e a teoria da actio libera in causa, afirmando que a responsabilização alcança as ações praticadas durante a embriaguez voluntária, culposa ou preordenada, tomando como parâmetro o momento do consumo da substância.

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