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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Antônio, Oficial de Justiça, com vontade livre e consciente, ao cumprir mandado de penhora, avaliação e intimação, certificou falsamente, em razão de sua função pública, fato que habilitou o executado Jorge a obter vantagem, consistente em ocultar bens penhoráveis, na medida em que Antônio falsamente certificou que não havia qualquer bem a ser penhorado. Assim agindo, Antônio praticou

Gabarito: A

Aqui a chave é separar falsidade material de falsidade ideológica. Na falsidade material, o problema está na aparência física do documento: ele foi criado, adulterado ou copiado de forma falsa. Já na falsidade ideológica, o documento até é verdadeiro na forma, mas o conteúdo que ele declara é mentiroso. No caso, Antônio, como Oficial de Justiça, lavrou certidão afirmando que não havia bem penhorável, quando, na prática, o objetivo era permitir que Jorge ocultasse bens. Ou seja, o papel existe e foi expedido por quem tinha competência para isso, mas o conteúdo certificado não corresponde à realidade. Isso é exatamente a chamada certidão ideologicamente falsa. O enquadramento clássico é o do Código Penal, art. 299, na parte que trata da falsidade ideológica praticada por funcionário público, com a específica circunstância de o agente inserir ou fazer inserir declaração falsa em documento público. A lógica da banca é bem conhecida: se a falsidade está no conteúdo da certidão, não há falsificação material, mas sim falsidade ideológica. Em resumo: Antônio não forjou o documento, ele mentiu no documento. E, em Direito Penal, essa diferença muda tudo.

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