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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Mesmo diante de diversos avisos e letreiros de proibição e dos alertas verbais de agente de segurança pública presente no local, Jack ingressou no Lago do Amor, em Campo Grande/MS, nadando rapidamente até o meio do lago. Quando retornava à margem, foi atacado por um jacaré, vindo a perder um braço. Após a alta médica, Jack dirigiu-se a uma unidade da Polícia Judiciária, realizando registro de ocorrência em desfavor do agente público, afirmando que ele tinha o dever de impedir seu ingresso no lago e que era o responsável pela lesão que sofrera. Diante desse cenário, é correto afirmar que o agente público:

Gabarito: B

Aqui a chave é entender que nem toda lesão sofrida em uma situação perigosa gera responsabilidade penal de terceiro. No Direito Penal, a imputação do resultado exige nexo causal e, em muitos casos, também que a conduta do agente tenha criado ou aumentado um risco juridicamente relevante. Quando a própria vítima, de forma livre e consciente, se coloca em perigo, a tendência é afastar a responsabilidade de quem apenas estava presente ou tinha um dever genérico de vigilância. No caso, Jack foi avisado várias vezes, viu letreiros de proibição e ainda assim entrou no lago por vontade própria. Isso caracteriza autocolocação em perigo dolosa: ele assumiu conscientemente o risco da conduta. Como o resultado decorreu desse comportamento livre e voluntário, não dá para jogar a culpa no agente público como se ele tivesse produzido a lesão. Também não se pode falar em omissão penalmente relevante só porque havia um agente de segurança no local. Pelo art. 13, parágrafo 2º, do Código Penal, a omissão só responde quando o omitente tinha o dever jurídico de agir, isto é, posição de garantidor. Em regra, esse dever não nasce de uma obrigação genérica de impedir toda e qualquer imprudência de terceiros. Sem posição de garantidor, não há como transformar o agente em autor do resultado. Por isso, o gabarito é a letra B. A vítima se expôs conscientemente ao risco, e o resultado foi consequência dessa autocolocação em perigo dolosa, rompendo a imputação do dano ao agente público.

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