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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

José, após longa apuração, foi acusado pelo Ministério Público da prática do crime de tortura no exercício de suas funções públicas. Considerando a robustez das provas existentes, consultou o seu advogado a respeito das consequências de eventual condenação criminal, mais especificamente em relação à sua situação funcional, pois ocupava cargo de provimento efetivo no âmbito do Poder Executivo do Estado Alfa. O advogado respondeu corretamente que, ante os termos da Lei nº 9.455/1997, José

Gabarito: D

A Lei nº 9.455/1997 trata a tortura com bastante rigor, especialmente quando o crime é praticado por agente público ou no exercício da função. Nessa hipótese, a condenação não gera só pena criminal comum: ela também produz efeitos específicos sobre a vida funcional do condenado. O ponto central aqui é que a lei prevê a perda do cargo, função ou emprego público e ainda a interdição para o exercício de cargo, função ou emprego público pelo dobro do prazo da pena aplicada. Então, se José foi condenado por tortura praticada no exercício de suas funções públicas, a consequência funcional não é mera suspensão temporária, nem depende de avaliação discricionária da administração. A própria lei já traz a sanção como efeito legal da condenação. Em outras palavras: a condenação bate forte na ficha e também na carreira. O fundamento está no art. 1º, § 5º, da Lei nº 9.455/1997, que estabelece exatamente esses efeitos. Por isso, o gabarito é a alternativa D: José deve perder o cargo de provimento efetivo e sofrerá interdição para o exercício de cargo, função ou emprego público pelo dobro do prazo da pena aplicada. Em prova, a banca gosta de misturar esse efeito específico com regras genéricas de suspensão, reabilitação ou avaliação administrativa. Mas aqui vale a regra especial da Lei de Tortura, que prevalece sobre suposições mais bonitas do mundo real.

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