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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Nina faz aula de balé à noite, há mais de 5 anos e costuma ir de bicicleta para as aulas. Em abril de 2022, após a aula, Nina pegou uma bicicleta, idêntica a sua, estacionada no mesmo local escuro, e, pensando que era a sua, foi embora pedalando para casa. Somente no dia seguinte, Nina percebeu que, na realidade, a bicicleta era de outra aluna, Maria. Nesse caso, podemos afirmar que Nina incidiu em

Gabarito: B

Aqui a chave é separar erro de tipo de erro de proibição. No erro de tipo, a pessoa erra sobre um dado da realidade do fato, isto é, sobre um elemento do tipo penal. No erro de proibição, ela até sabe o que faz, mas acredita que aquilo é permitido. Parece sutil, mas cai muito em prova, porque a banca adora essa troca de roupa conceitual. No furto, o tipo penal exige subtrair coisa alheia móvel, com vontade consciente de pegar algo que não pertence a você. Nina pegou a bicicleta pensando que era a dela. Ou seja, ela errou justamente sobre a elementar "coisa alheia": para ela, o objeto era próprio. Sem essa percepção, falta o dolo de furtar. Por isso, o caso é de erro de tipo essencial, previsto no art. 20 do Código Penal. Quando o erro recai sobre elementar do tipo, ele exclui o dolo e, se houver previsão de modalidade culposa, pode restar culpa. No furto simples, não há forma culposa, então a consequência prática é afastar o crime doloso. Resumo de prova: se a pessoa confunde o objeto, a vítima, o fato ou qualquer elemento do tipo, pense em erro de tipo. Se ela entende o fato, mas acha que a conduta é juridicamente permitida, aí o assunto muda para erro de proibição.

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