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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Após sacar dinheiro no Banco, retornando a pé para casa, Maria foi surpreendida por Túlio que, ostentado arma de fogo, exigiu que ela entregasse sua bolsa com seu aparelho celular. Amedrontada, Maria entregou seus pertences. De posse dos objetos, Túlio correu pela rua, mas logo foi abordado por policiais que iniciavam o patrulhamento no local, para azar do meliante. Túlio foi detido com os bens subtraídos e levado para a Delegacia, tendo a arma de fogo sido periciada e comprovada a sua potencialidade lesiva. Acerca da hipótese, é correto afirmar que Túlio praticou

Gabarito: E

Aqui o ponto central é entender quando o roubo se consuma. No crime de roubo, basta a inversão da posse da coisa subtraída, ainda que por curto tempo e mesmo que o agente seja logo preso em seguida. Ou seja: se o bem saiu da esfera de vigilância da vítima e passou, ainda que momentaneamente, para o domínio do agente, o crime já se consumou. Esse é o entendimento consolidado na jurisprudência do STF e do STJ, muito cobrado em prova. No caso, Túlio ameaçou Maria com arma de fogo, exigiu a bolsa e o celular, e conseguiu pegar os bens. Depois, ele foi abordado pela polícia logo adiante. Isso não transforma o fato em tentativa, porque a consumação já tinha ocorrido no instante em que ele conseguiu subtrair os objetos e fugir com eles, ainda que por pouco tempo. Além disso, houve emprego de arma de fogo, o que atrai a causa de aumento prevista no art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal. A arma foi periciada e comprovada sua potencialidade lesiva, o que reforça a incidência da majorante. Portanto, a resposta correta é roubo consumado, com aumento de pena pelo emprego de arma de fogo. Em resumo: houve violência ou grave ameaça, houve subtração patrimonial e houve arma de fogo. O pacote completo do roubo veio com direito a estacionamento curto, mas suficiente para a consumação.

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