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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Insatisfeito com uma disputa acirrada num jogo de futebol, Ares, que contava com 17 anos e 11 meses de vida, aguarda a saída de Príapo de um curso preparatório, sequestrando seu desafeto, mantendo-o em cárcere privado por dois meses, quando o cativeiro é descoberto pela polícia e a vítima é resgatada. De acordo com o Código Penal, Ares deverá:

Gabarito: A

O ponto da questão é o momento em que o Direito Penal considera praticado o fato. Em regra, o Código Penal adota a teoria da atividade no art. 4º: "considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão". Isso importa muito quando a idade do agente muda no meio do caminho, porque menoridade penal é aferida no instante do fato. Só que a banca empurrou a discussão para um crime permanente, como o cárcere privado. Nesse tipo de delito, a conduta se prolonga no tempo: não é algo que termina num clique, como tirar foto de matrícula, mas algo que continua enquanto a vítima segue privada da liberdade. Por isso, se a permanência atravessa a maioridade, o agente passa a responder penalmente. É aí que entra a lógica cobrada no gabarito: a responsabilidade é reconhecida em razão da teoria do resultado/consumação, já que o crime só se projeta de forma completa enquanto o cativeiro subsiste. Como Ares manteve a vítima em cárcere por dois meses, ele já havia ultrapassado os 18 anos quando a situação perdurava, afastando a ideia de inimputabilidade por menoridade. Na prática de concurso, a dica é: lei no texto do art. 4º, mas não esqueça a exceção cobrada em crimes permanentes e continuados. A banca adora testar se você sabe que o relógio penal, às vezes, insiste em correr mais devagar do que o relógio da vida real.

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