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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Manuel praticou crime de sequestro contra a vítima Carla, que se encontrava em cativeiro há três meses. Durante esse período em que a vítima se encontrava privada da sua liberdade, entrou em vigor lei penal nova, prevendo aumento de pena para o crime de sequestro, o qual só cessou após a lei nova ter entrado em vigor. Diante dessa hipótese, quanto à aplicação da lei penal no tempo, é correto afirmar que:

Gabarito: B

Quando o crime é permanente, como o sequestro, a consumação se prolonga no tempo enquanto a vítima continuar privada da liberdade. Isso muda tudo na análise da lei penal no tempo: não se olha só para o momento inicial da conduta, mas para todo o período em que o crime ainda está em curso. A doutrina e a jurisprudência tratam o crime permanente como situação de continuidade da consumação, e não como um fato já encerrado lá no começo. Por isso, se entra em vigor uma lei nova mais gravosa enquanto o sequestro ainda está acontecendo, essa lei pode ser aplicada. O motivo é simples: no momento em que a lei nova passa a valer, o delito ainda está em execução, então não há retroatividade indevida. Em outras palavras, a lei nova pega o crime “com a mão na massa”, porque a permanência ainda não terminou. É justamente essa a lógica cobrada na alternativa B. Como o cativeiro de Carla só cessou depois da entrada em vigor da lei nova, aplica-se a lei posterior mais grave. Aqui não se fala em ultratividade da lei antiga, porque o fato não estava encerrado sob a vigência da lei anterior. O ponto central é o momento da cessação da permanência, que marca o fim da execução do crime. Então, para memorizar: em crime permanente, a lei penal em vigor durante a permanência incide sobre o fato, ainda que seja mais severa. O enunciado é clássico de concurso, daqueles que fazem a lei parecer um relógio teimoso: enquanto o crime continua, o tempo jurídico também continua correndo.

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