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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

No dia 29 de junho de 2021, Maria, nascida em 20 de maio de 1944, foi vítima de um golpe, entregando a um estelionatário 10 mil reais, após ser induzida a erro pelo golpista. Hesita em procurar a polícia, mas o fato é comunicado à autoridade policial por uma vizinha da vítima. A propósito do início do inquérito policial que apura o crime de estelionato, no caso em questão, é correto afirmar que a autoridade policial

Gabarito: B

O crime de estelionato, em regra, depende de representação da vítima para a ação penal. Mas a lei criou exceções importantes no art. 171, § 5º, do Código Penal, e uma delas é justamente quando a vítima tem mais de 70 anos. Nessa hipótese, a persecução penal volta a ser pública incondicionada, então a polícia não fica esperando a vítima dizer "pode ir" para começar a agir. No caso, Maria nasceu em 20 de maio de 1944 e o fato ocorreu em 29 de junho de 2021. Ou seja, ela já tinha mais de 70 anos. Por isso, o estelionato praticado contra ela se enquadra na exceção legal e dispensa representação. A autoridade policial pode instaurar o inquérito com base na notícia do fato levada pela vizinha. Esse detalhe é bem cobrado pela FGV: ela adora misturar a regra geral com uma exceção legal específica, para ver se voce cai no reflexo automático de dizer que estelionato sempre depende de representação. Aqui, não depende, porque a própria lei abriu a exceção para a vítima idosa. Resumo de prova: estelionato = ação pública condicionada à representação, salvo hipóteses do art. 171, § 5º, CP. Vítima maior de 70 anos? A ação penal é pública incondicionada, e o inquérito pode ser iniciado normalmente.

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