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Direito Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Sávio, policial militar, durante operação policial, para um veículo e realiza revista pessoal nos passageiros, bem como no automóvel. Durante a busca no veículo, Sávio coloca um pacote com um quilo de maconha no carro e diz ao motorista que teria localizado aquela substância no interior do veículo. Muito assustado, o motorista Pedro informa que aquele material não era dele e que não tinha nenhum conhecimento de como aquilo fora parar no seu carro. Sávio diz a Pedro que eles podem resolver aquele problema de uma forma amigável, desde que ocorra o pagamento de R$20.000,00 (vinte mil reais). Pedro informa ao policial que não tem aquele dinheiro ali, mas que teria o valor guardado em um cofre em sua casa. O policial, então, determina que Pedro pegue um táxi, vá até sua casa e retorne com o numerário para pagá-lo e ser liberado. Pedro, que gravara toda a conversa com seu aparelho celular, de dentro do táxi liga para a Delegacia da área, que manda uma viatura ao local e realiza a prisão de Sávio. Acerca da responsabilização penal de Sávio é correto afirmar que

Gabarito: A

Aqui o ponto central é identificar o momento em que a corrupção passiva se consuma. Pelo art. 317 do Código Penal, o delito acontece quando o funcionário público solicita, recebe ou aceita promessa de vantagem indevida, em razão da função. Repare que não é preciso que o dinheiro chegue às mãos do agente: a simples solicitação já basta para a consumação, porque a lei protege a moralidade administrativa e a probidade da função pública. No caso, Sávio, policial militar, não só sugeriu a vantagem indevida como condicionou a solução do problema ao pagamento de R$ 20.000,00. Isso é pedido de vantagem indevida ligado diretamente à função policial, então o crime já estava consumado naquele instante. O fato de Pedro não ter entregue o dinheiro e de a prisão ter ocorrido antes do pagamento não muda isso. Por isso a banca quer que você lembre: corrupção passiva é crime formal. Em outras palavras, o resultado naturalístico, como o efetivo recebimento da vantagem, não é necessário para a consumação. A conduta de solicitar já fecha o tipo penal. Doutrina e jurisprudência caminham nessa linha de forma tranquila. Assim, a resposta correta é a alternativa A, porque Sávio praticou corrupção passiva consumada ao solicitar a vantagem indevida, ainda que o dinheiro não tenha sido pago.

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