← Questões de Direito Penal

Direito Penal · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Penal

Carla, sob influência do estado puerperal, desejando matar seu filho Guilherme, recém-nascido que estava em uma incubadora no hospital onde acabara de nascer, levanta de sua cama e vai até o berçário, local onde seu filho se encontrava. Lá chegando, Carla pega sua arma de fogo, aponta na direção da incubadora de seu filho e, no momento do disparo, devido ao tranco da arma, acerta a incubadora ao lado da do seu filho, matando Joaquim, filho de Paula, outra paciente do hospital. Diante do caso narrado é correto afirmar que Carla responderá pelo crime de

Gabarito: C

Aqui a chave é perceber que Carla agiu sob influência do estado puerperal e queria matar o próprio filho recém-nascido. Isso, em regra, configura infanticídio, previsto no art. 123 do Código Penal, porque a lei trata de forma especial a mãe que mata o filho durante o parto ou logo após, sob influência do estado puerperal. O problema da questão está no desvio do golpe: ela mirou a incubadora do filho, mas o disparo atingiu outro recém-nascido, Joaquim. Quando a pessoa quer atingir um sujeito e, por erro na execução, atinge outro, aplica-se o art. 73 do Código Penal, que trata da aberratio ictus, ou erro na execução. Nessa hipótese, responde-se pelo crime pretendido, como se tivesse atingido a vítima visada. Em termos práticos: Carla continua respondendo por infanticídio, porque sua vontade era matar o próprio filho e o resultado se desviou para terceiro. Não confunda isso com erro sobre a pessoa, do art. 20, § 3º, do CP. No erro sobre a pessoa, o agente engana-se quanto à identidade da vítima e atinge exatamente quem queria atingir, mas pensando ser outra pessoa. Aqui não: ela errou o disparo, não a identidade. Também não é resultado diverso do pretendido, art. 74, porque o resultado foi o mesmo desejado - matar alguém - só que a vítima final foi outra. Por isso, o gabarito é a letra C: infanticídio por erro na execução, nos termos do art. 73 do Código Penal. É aquele clássico da prova em que a banca troca a vítima de propósito para ver se você confunde erro na execução com erro sobre a pessoa.

Continue treinando

Questões relacionadas