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Direito Penal · FGV · 2016

Questão comentada de Direito Penal

Silva e Pereira, amigos de infância, combinam praticar um crime de furto. Silva sugere que o crime seja realizado na residência da família Bragança, pois tinha a informação de que os proprietários estavam viajando e a casa ficava a uma quadra de suas casas. Juntos dirigem-se ao local e, sem que Silva tivesse conhecimento, Pereira traz consigo uma arma de fogo municiada. Silva subtrai uma TV e deixa o imóvel que estava sendo furtado. Pereira, quando se preparava para sair com o dinheiro subtraído do cofre, depara-se com o segurança que, alertado pelo alarme acionado, entrara na casa. Pereira, para garantir o crime, efetua disparos de arma de fogo contra o segurança, vindo este a falecer em razão dos tiros. Considerando a situação narrada, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Aqui o ponto central é separar o que cada agente sabia e queria fazer. Silva e Pereira combinaram apenas um furto. Para o concurso de pessoas, vale a ideia de que a responsabilidade de cada um acompanha o que entrou no seu dolo, e não tudo o que o outro resolveu inventar na hora. Em outras palavras: se um dos comparsas resolve, por conta própria, usar arma e matar a vítima ou terceiro para garantir a subtração, isso não se comunica automaticamente ao outro que nada sabia desse plano mais pesado. No caso, Silva participou do furto, mas não tinha conhecimento de que Pereira levaria arma nem de que haveria violência contra o segurança. Assim, para Silva, responde-se pelo furto qualificado, porque sua conduta se limitou à subtração em concurso de agentes, sem a morte dolosa que caracterizaria latrocínio. Já Pereira, que praticou a violência letal para assegurar o crime e fugir com o produto, responde pelo latrocínio, que é o roubo seguido de morte, previsto no art. 157, §3º, II, do CP. A FGV costuma cobrar essa lógica de forma bem direta: coautoria não significa responsabilidade penal automática por tudo o que o comparsa fizer. Se houver excesso pessoal de um dos agentes, sem ajuste nem adesão do outro, esse excesso fica com quem o praticou. É exatamente o que aconteceu aqui com Pereira ao usar a arma e matar o segurança sem ciência prévia de Silva. Por isso, a afirmativa correta é a que atribui a Silva a pena do furto qualificado e a Pereira a do latrocínio. O caso é clássico de concurso de pessoas com excesso pessoal não comunicável, tema bem cobrado em provas de concurso.

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