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Direito Penal · FGV · 2016

Questão comentada de Direito Penal

A Lei Maria da Penha objetiva proteger a mulher da violência doméstica e familiar que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial, desde que o crime seja cometido no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. Diante deste quadro, após agredir sua antiga companheira, porque ela não quis retomar o relacionamento encerrado, causando-lhe lesões leves, Jorge o (a) procura para saber se sua conduta fará incidir as regras da Lei nº 11.340/06. Considerando o que foi acima destacado, você, como advogado (a) irá esclarecê-lo de que

Gabarito: C

A Lei Maria da Penha não exige que o casal esteja vivendo junto no momento da agressão. O ponto central é a existência de violência praticada no contexto de relação íntima de afeto ou de ex-relacionamento, quando a agressão decorre dessa vinculação anterior. Em outras palavras: terminou, mas o conflito nasceu do fim do vínculo? A proteção pode continuar valendo. No caso narrado, Jorge agrediu a antiga companheira porque ela não quis retomar o relacionamento encerrado. Isso mostra que a violência ocorreu em razão da relação pretérita, isto é, em contexto de intimidade afetiva, o que atrai a incidência da Lei nº 11.340/06. A lei protege a mulher contra violência doméstica e familiar, inclusive quando a agressão decorre da condição de ex-companheira. Esse entendimento é bem consolidado na doutrina e na jurisprudência: a coabitação não é requisito indispensável, e a separação do casal não afasta, por si só, a proteção da Lei Maria da Penha. O foco é a motivação e o contexto da agressão, não a certidão de convivência no momento exato do fato. Por isso, a orientação correta é a de que a agressão do companheiro contra a companheira, mesmo após o fim do relacionamento, pode caracterizar violência doméstica e autorizar a incidência da Lei nº 11.340/06.

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