← Questões de Direito Penal

Direito Penal · FGV · 2015

Questão comentada de Direito Penal

No dia 10 de maio de 2015, Maria, 25 anos, foi vítima de um crime de estupro simples, mas, traumatizada, não mostrou interesse em dar início a qualquer investigação penal ou ação penal em relação aos fatos. Os pais de Maria, porém, requerem a instauração de inquérito policial para apurar autoria, entendendo que, após identificar o agente, Maria poderá decidir melhor sobre o interesse na persecução penal. Foi proferido despacho indeferindo o requerimento de abertura de inquérito. Considerando a situação narrada, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Aqui o ponto central é a natureza da ação penal no crime de estupro simples, quando a vítima é maior e capaz. Após a Lei 12.015/2009, o estupro do art. 213 do CP passou, em regra, a depender de representação da vítima para o início da persecução penal, nos termos do art. 225 do CP. Ou seja: sem a manifestação de vontade de Maria, a ação penal não pode andar como deveria. Isso não significa que a polícia fique proibida de agir em qualquer cenário. O que importa, nesse caso, é que a representação pode ser apresentada dentro do prazo decadencial de 6 meses, contado do dia em que Maria souber quem é o autor, conforme a lógica dos arts. 38 do CPP e 103 do CP. Então, se ela antes estava traumatizada e depois resolve representar, ainda dentro do prazo, a persecução pode começar normalmente. Por isso o gabarito é a letra C: mesmo após o indeferimento do pedido feito pelos pais, Maria ainda pode, dentro do prazo legal, manifestar sua vontade e permitir o início do procedimento, sem que seja exigida a descoberta de novas provas. A representação não depende de prova nova; depende da vontade da vítima legitimada. Em resumo: pais curiosos não substituem a vontade da vítima adulta em crime condicionado à representação. Já Maria, se mudar de ideia a tempo, muda também o destino do caso.

Continue treinando

Questões relacionadas