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Direito Penal · FGV · 2013

Questão comentada de Direito Penal

Lucas, funcionário público do Tribunal de Justiça, e Laura, sua noiva, estudante de direito, resolveram subtrair notebooks de última geração adquiridos pela serventia onde Lucas exerce suas funções. Assim, para conseguir seu intento, combinaram dividir a execução do delito. Lucas, em determinado feriado municipal, valendo-se da facilidade que seu cargo lhe proporcionava, identificou-se na recepção e disse ao segurança que precisava ir até a serventia para buscar alguns pertences que havia esquecido. O segurança, que já conhecia Lucas de vista, não desconfiou de nada e permitiu o acesso. Ressalte-se que, além de ser serventuário, Lucas conhecia detalhadamente o prédio público, razão pela qual se dirigiu rapidamente ao local desejado, subtraindo todos os notebooks. Após, foi a uma janela e, dali, os entregou a Laura, que os colocou no carro e saiu. Ao final, Lucas conseguiu deixar o edifício sem que ninguém suspeitasse de nada. Todavia, cerca de uma semana após, Laura e Lucas têm uma discussão e terminam o noivado. Muito enraivecida, Laura procura a polícia e noticia os fatos, ocasião em que devolve todos os notebooks subtraídos. Com base nas informações do caso narrado, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

A questão gira em torno do peculato-furto, previsto no art. 312, §1º, do Código Penal. Ele acontece quando o funcionário público, valendo-se da facilidade que o cargo lhe proporciona, subtrai ou ajuda a subtrair bem móvel. Aqui, Lucas era servidor do Tribunal, usou justamente a facilidade do cargo e do acesso ao prédio para pegar os notebooks. É o típico caso em que o cargo vira a “chave mestra” do crime. O ponto mais importante é que Laura, embora não seja funcionária pública, responde junto com Lucas pelo mesmo crime. Isso acontece porque a condição de funcionário público é elementar do tipo penal e, nos termos do art. 30 do CP, elementares comunicam-se aos coautores e partícipes quando conhecidas por eles. Como Laura sabia do plano e atuou dividindo a execução, ela não fica “de fora” por ser particular. Também não há arrependimento eficaz, porque o crime já estava consumado quando os notebooks foram retirados da esfera de vigilância da Administração e entregues a Laura. A devolução posterior feita por Laura, além de ocorrer depois de consumado o delito, não apaga a tipicidade nem a punibilidade. No máximo, poderia suscitar discussão sobre arrependimento posterior do art. 16 do CP, mas isso não extingue o crime e depende de requisitos específicos, o que não altera o acerto da questão. Por isso, a alternativa correta é a A: Lucas e Laura respondem por peculato-furto em concurso de agentes. A lógica aqui é simples: servidor usa a facilidade do cargo, comparsa participa sabendo disso, e o Direito Penal não deixa essa parceria passar em branco.

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