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Direito Penal · FGV · 2012

Questão comentada de Direito Penal

Analise detidamente as seguintes situações: Casuística 1: Amarildo, ao chegar a sua casa, constata que sua filha foi estuprada por Terêncio. Imbuído de relevante valor moral, contrata Ronaldo, pistoleiro profissional, para tirar a vida do estuprador. O serviço é regularmente executado. Casuística 2: Lucas concorre para um infanticídio auxiliando Julieta, parturiente, a matar o nascituro – o que efetivamente acontece. Lucas sabia, desde o início, que Julieta estava sob a influência do estado puerperal. Levando em consideração a legislação vigente e a doutrina sobre o concurso de pessoas (concursus delinquentium), é correto afirmar que

Gabarito: A

Aqui a chave é separar o que é circunstância pessoal do que integra o próprio tipo penal. No concurso de pessoas, a regra do art. 30 do Código Penal é que as circunstâncias e condições de caráter pessoal não se comunicam, salvo quando forem elementares do crime. Traduzindo: o que é “da pessoa” em regra fica com ela, mas, se aquilo for elemento do tipo, entra no pacote de quem participou e sabia do contexto. Na casuística 1, Amarildo age sob relevante valor moral, então faz jus ao homicídio privilegiado, previsto no art. 121, §1º, do CP. Já Ronaldo, pistoleiro profissional contratado para matar, não compartilha esse motivo nobre e responde por homicídio qualificado pelo motivo torpe, do art. 121, §2º, I, porque a paga ou promessa de recompensa é justamente o traço clássico da torpeza. Na casuística 2, o estado puerperal é elemento do crime de infanticídio, do art. 123 do CP. Por isso, se Lucas sabia desde o início que Julieta estava sob essa influência e concorreu para a morte do nascituro, a jurisprudência e a doutrina majoritária admitem a comunicabilidade dessa elementar: ambos respondem por infanticídio. Não vira homicídio só porque Lucas não pariu ninguém, a lei não exige esse milagre biológico do coautor. Resultado: a alternativa A acerta os dois pontos. Ela separa corretamente a circunstância pessoal de Amarildo do motivo torpe de Ronaldo e, no segundo caso, aplica a comunicabilidade da elementar do infanticídio a Lucas, que tinha ciência do estado puerperal.

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