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Direito Penal · FGV · 2012

Questão comentada de Direito Penal

José conversava com Antônio em frente a um prédio. Durante a conversa, José percebe que João, do alto do edifício, jogara um vaso mirando a cabeça de seu interlocutor. Assustado, e com o fim de evitar a possível morte de Antônio, José o empurra com força. Antônio cai e, na queda, fratura o braço. Do alto do prédio, João vê a cena e fica irritado ao perceber que, pela atuação rápida de José, não conseguira acertar o vaso na cabeça de Antônio. Com base no caso apresentado, segundo os estudos acerca da teoria da imputação objetiva, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

A teoria da imputação objetiva serve para filtrar, dentro da causalidade, quais resultados realmente podem ser atribuídos a uma conduta. Não basta existir nexo causal no sentido do art. 13 do CP: é preciso que o agente tenha criado um risco juridicamente proibido e que o resultado seja a realização desse risco. Em outras palavras, nem todo empurrão vira automaticamente crime com o resultado final na conta de quem agiu. No caso, José age para proteger Antônio de uma agressão iminente e empurra a vítima com a finalidade de evitar a possível morte causada por João. A fratura decorre dessa atuação defensiva, mas o resultado não pode ser imputado a José porque sua conduta não criou um risco juridicamente desaprovado relevante para aquele desfecho. Houve, no máximo, uma lesão decorrente de uma atuação defensiva voltada a afastar perigo atual ou iminente. Além disso, o enunciado destaca que João ficou irritado porque a ação de José frustrou o acerto do vaso, mostrando que a ameaça real vinha de terceiro. Isso reforça que o foco da imputação deve recair sobre quem gerou o perigo inicial, e não sobre quem tentou neutralizá-lo. A doutrina da imputação objetiva, em linha com Roxin, afasta a atribuição do resultado quando a conduta apenas tenta evitar um mal maior e não realiza um risco proibido relevante. Por isso, a letra C está correta: pode até existir nexo causal físico entre o empurrão e a fratura, mas isso não basta. Sem imputação objetiva, não há como atribuir o resultado lesivo a José.

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