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Direito Penal · FGV · 2012

Questão comentada de Direito Penal

Ana Maria, aluna de uma Universidade Federal, afirma que José, professor concursado da instituição, trai a esposa todo dia com uma gerente bancária. A respeito do fato acima, é correto afirmar que Ana Maria praticou o crime de

Gabarito: D

Aqui o ponto central é separar calúnia de difamação. Calúnia exige imputação falsa de fato definido como crime. Difamação, por sua vez, é atribuir a alguém um fato ofensivo à sua reputação, mesmo que esse fato não seja crime. É o caso de dizer que alguém trai a esposa: isso pode até ser moralmente reprovável, mas não é crime, então não entra em calúnia. No enunciado, Ana Maria afirmou que José "trai a esposa todo dia com uma gerente bancária". Isso atinge a honra objetiva de José, isto é, a imagem social dele perante terceiros. Por isso, o enquadramento correto é o art. 139 do Código Penal, e não o art. 138. Sobre a exceção da verdade, a regra na difamação é que ela não cabe. O Código Penal só admite essa prova, de forma excepcional, quando o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções (art. 139, parágrafo único). Aqui, a suposta traição não tem qualquer relação com a função de professor concursado. Logo, não dá para usar exceção da verdade. Por isso, o gabarito correto é a alternativa D: difamação, com impossibilidade de exceção da verdade na hipótese. É a clássica pegadinha de concurso: o fato é feio, mas nem todo fato feio é crime.

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