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Direito Penal · FGV · 2012

Questão comentada de Direito Penal

Grávida de nove meses, Maria se desespera e, visando evitar o nascimento de seu filho, toma um comprimido contendo um complexo vitamínico, achando, equivocadamente, tratar-se de uma pílula abortiva. Ao entrar em trabalho de parto, poucos minutos depois, Maria dá à luz um bebê saudável. Todavia, Maria, sob a influência do estado puerperal, lança a criança pela janela do hospital, causando-lhe o óbito. Com base no relatado acima, é correto afirmar que Maria praticou

Gabarito: C

Aqui a banca mistura duas ideias clássicas: tentativa de aborto e infanticídio. No primeiro momento, Maria quer interromper a gravidez, mas toma um comprimido que ela acha ser abortivo e que, na verdade, é apenas um complexo vitamínico. Isso não gera tentativa punível de aborto, porque o meio é absolutamente inadequado para produzir o resultado. Em linguagem de prova, entra a lógica do crime impossível, do art. 17 do CP: não há punição quando o meio é totalmente ineficaz. Depois, vem o fato realmente relevante: com a criança já nascida, Maria, sob influência do estado puerperal, a lança pela janela do hospital e causa sua morte. Isso encaixa exatamente no art. 123 do CP, que define o infanticídio como matar o próprio filho, durante o parto ou logo após, sob influência do estado puerperal. Por isso, a resposta correta é a letra C. O caso não forma concurso de crimes, porque a conduta ligada ao falso abortivo não configura tentativa punível. O delito efetivamente consumado, no enredo, é apenas o infanticídio. A especialidade do art. 123 afasta a ideia de homicídio comum aqui.

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