Sobre os crimes de posse e porte ilegais de armas de fogo, considerando a jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)São leis ou normas penais em branco.
Correta: os tipos de posse e porte ilegal de arma de fogo são normas penais em branco, pois dependem de complementação por regras administrativas.
- B)São crimes de perigo abstrato.
Correta: a jurisprudência dos Tribunais Superiores trata esses delitos como crimes de perigo abstrato.
- C)O porte de pequena quantidade de munição desacompanhada da arma de fogo pode afastar excepcionalmente a configuração típica em razão da ausência de potencial lesivo (princípio da insignificância).
Correta: em situações excepcionais, a pequena quantidade de munição desacompanhada da arma pode afastar a tipicidade material pela insignificância.
- D)A condição de Policial Civil afasta a tipicidade da conduta daquele que, autorizado a portar ou possuir arma de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento que impõem registro das armas no órgão competente.
Errada: a condição de Policial Civil não exclui automaticamente a tipicidade se houver descumprimento das exigências legais de registro e regularidade da arma.
- E)O crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito é permanente.
Correta: a posse ilegal de arma de fogo de uso restrito é crime permanente, pois a consumação se protrai no tempo enquanto durar a manutenção da arma.
Gabarito: D
Os crimes de posse e porte ilegais de arma de fogo, previstos no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), são tratados pelos Tribunais Superiores como crimes de perigo abstrato. Em outras palavras, a lei pune o risco criado para a coletividade, sem exigir que você tenha efetivamente ferido alguém ou disparado a arma. Então, para a configuração do delito, basta a conduta típica prevista em lei, desde que presentes os requisitos legais do tipo. Além disso, esses delitos são normalmente classificados como normas penais em branco, porque dependem de complemento por outras regras administrativas, como registros, autorizações e classificações da arma ou da munição. Também se reconhece, na posse ilegal, a natureza de crime permanente: enquanto a arma irregular estiver sob a guarda do agente, a consumação se prolonga no tempo. A jurisprudência admite, de modo excepcional, a aplicação do princípio da insignificância em situações muito específicas, como o porte de pequena quantidade de munição desacompanhada da arma, quando realmente não houver potencial lesivo relevante. É uma válvula de escape bem estreita, não um passe livre geral. Os tribunais analisam isso com bastante cautela. O gabarito é a letra D porque a simples condição de Policial Civil não afasta, por si só, a tipicidade de condutas praticadas em desconformidade com as exigências legais do Estatuto do Desarmamento. Se a arma ou a posse/porte estiverem fora das regras de registro, autorização ou regularidade exigidas, o fato pode continuar sendo típico. Ou seja, cargo policial não funciona como escudo mágico contra a lei penal.