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Direito Penal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Bráulio, policial civil em férias, estava na DP em que trabalha esperando um inspetor de polícia amigo, com o qual havia combinado de almoçar. Nesse momento, chegou ao local Patrícia, mãe de Gabriel, que fora preso em flagrante delito por furto no dia anterior. Patrícia se dirigiu a Bráulio e disse que estava ali para pagar a fiança do filho. Bráulio, a fim de agilizar o procedimento e sair logo para o almoço, acessou o sistema informatizado e verificou que Gabriel fora autuado por furto qualificado, insuscetível de fiança (o que, inclusive, encontravase mencionado na decisão do delegado plantonista). Ainda assim, Bráulio disse que a fiança foi fixada no valor de um salário mínimo e recolheu para si a quantia entregue por Patrícia. Nessa situação hipotética, Bráulio cometeu crime de

Gabarito: D

Aqui a chave é olhar para o meio usado por Bráulio: ele enganou Patrícia dizendo que a fiança tinha sido fixada em um salário mínimo, quando sabia que o crime era inafiançável. Ou seja, ele criou uma mentira para fazer a vítima entregar dinheiro. Isso é a cara do estelionato, previsto no art. 171 do Código Penal: obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, mediante fraude. Bráulio não estava apenas “guardando” ou “administrando” o valor; ele usou a fraude para fazer a entrega acontecer e depois ficou com a quantia. Um detalhe importante é que a vítima foi induzida em erro por uma falsa informação sobre a situação jurídica do filho. Em concurso, quando a pessoa é enganada e entrega o dinheiro por acreditar na mentira, a banca costuma puxar para estelionato, e não para apropriação indébita ou peculato.

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