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Direito Penal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Alex e Bianca são casados há uma década. Há três anos, a irmã de Bianca, criança com 10 anos de idade, passou a pernoitar na residência do casal, ocasiões em que Alex aproveitava para praticar atos de natureza sexual contra a menina. Em uma noite, Bianca descobriu o que estava ocorrendo nas visitas, mas não tomou atitude para impedir a reiteração das condutas criminosas do cônjuge. Ao contrário, Bianca continuou permitindo que a irmã dormisse em sua casa e que o marido se aproveitasse da situação. Com relação à situação hipotética anterior, assinale a opção correta.

Gabarito: A

Aqui a chave da questão é lembrar que, no Direito Penal, não é preciso “colocar a mão na massa” para responder pelo crime. Quando a pessoa tinha dever jurídico de impedir o resultado e, podendo agir, fica inerte, ela pode responder por omissão imprópria, nos termos do art. 13, §2º, do CP. No caso, Bianca descobriu os abusos cometidos contra a irmã de 10 anos e, mesmo assim, deixou a criança continuar dormindo em sua casa, facilitando a reiteração das agressões. Ou seja: ela não só soube do fato, como também podia evitar a continuidade do resultado e escolheu não agir. Isso é exatamente o tipo de situação em que a omissão vira relevância penal. Como a vítima tinha menos de 14 anos, o crime praticado por Alex é estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Bianca, ao se omitir de forma relevante, responde pelo mesmo delito por omissão imprópria, porque sua conduta omissiva contribuiu para a manutenção da prática criminosa. A banca gosta dessa lógica: não basta olhar quem executou o ato sexual. Se alguém tinha posição de garante e cruzou os braços diante da violência, pode responder pelo resultado. Em resumo: aqui o erro da questão seria tratar a omissão como simples passividade, quando, penalmente, ela pode valer como autoria.

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