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Direito Penal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Penal

O filho de um tesoureiro furtou certa quantia em dinheiro da associação em que o pai trabalha. O tesoureiro, sabendo do fato, atribuiu a autoria do delito ao faxineiro da associação após, por insistência da diretoria, ter registrado a ocorrência policial e solicitado instauração do inquérito policial. Considerando-se as informações apresentadas, é correto afirmar que, nesse caso, o tesoureiro responderá por

Gabarito: E

Aqui a chave é separar dois crimes que a banca adora confundir: calúnia e denunciação caluniosa. Na calúnia, você imputa falsamente um fato definido como crime a alguém, em regra fora do contexto de provocar a máquina estatal. Já na denunciação caluniosa, prevista no art. 339 do Código Penal, a pessoa dá causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, de investigação administrativa, de inquérito civil ou de ação de improbidade, imputando a alguém crime que sabe ser inocente. No caso, o tesoureiro não ficou só falando mal do faxineiro: ele registrou ocorrência e pediu instauração de inquérito, ou seja, acionou formalmente o Estado para investigar um inocente. Isso encaixa exatamente no art. 339 do CP. A doutrina costuma resumir assim: se a falsa imputação vem acompanhada de provocação da persecução estatal, a figura é denunciação caluniosa, e não simples calúnia. O detalhe mais importante é a consciência da falsidade. O enunciado diz que ele sabia do furto cometido pelo filho e, mesmo assim, atribuiu a autoria ao faxineiro. Essa ciência do caráter falso da acusação fecha o tipo penal com bastante conforto. Então, o gabarito é a letra E porque houve imputação falsa de crime a pessoa determinada, com provocação de inquérito policial. É exatamente o cenário clássico do art. 339 do Código Penal.

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