← Questões de Direito Penal

Direito Penal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Penal

Para justificar os gastos exorbitantes no cartão de crédito e a noite que passou fora de casa com sua amante, Gustavo foi a uma delegacia de polícia e registrou ocorrência policial falsa, relatando que teria sido vítima de sequestro e cárcere privado. Na situação hipotética apresentada, a conduta de Gustavo configura crime de

Gabarito: C

Aqui a chave é separar duas figuras que a banca adora confundir: denunciar alguém inocente e simplesmente comunicar um crime que não existiu. Quando a pessoa leva à autoridade policial uma notícia falsa de crime ou contravenção, sem apontar falsamente um autor determinado para que ele responda por isso, a tipificação é a do art. 340 do Código Penal, a chamada comunicação falsa de crime. No caso, Gustavo foi até a delegacia e registrou ocorrência dizendo que teria sido vítima de sequestro e cárcere privado, fato que ele inventou. Ou seja, ele acionou o aparato estatal com uma notícia criminosa falsa. Isso basta para configurar o art. 340, que pune quem provoca a ação de autoridade, comunicando a ocorrência de crime ou contravenção que sabe não ter ocorrido. Já a denunciação caluniosa, do art. 339, exige algo diferente: imputar falsamente a alguém a prática de crime, provocando instauração de investigação, processo ou procedimento. Aqui, como ele não atribuiu o fato a uma pessoa determinada, não há esse crime mais grave. A doutrina e a jurisprudência fazem exatamente essa distinção: sem falsa imputação a terceiro, fica no art. 340. Resumo de prova: inventou o crime e foi à polícia? Pense no art. 340. Inventou o crime e ainda colocou a culpa em alguém específico? Aí a conversa sobe de nível para denunciação caluniosa.

Continue treinando

Questões relacionadas