Considere que foi proposto um projeto de lei estadual que impede empresas concessionárias de energia elétrica e de água de promoverem o corte do fornecimento dos serviços em caso de inadimplemento, bem como autoriza empregados celetistas vinculados a empresas privadas a se afastarem, um dia, de seus postos de trabalho, sem qualquer desconto, para realizarem exames preventivos de câncer. Com base na situação hipotética, é possível afirmar que o projeto de lei é
- A)inconstitucional na parte em que autoriza o afastamento de empregados sem desconto, pois compete à União legislar sobre direito do trabalho.
Correta: afastamento remunerado de empregado celetista é matéria de direito do trabalho, de competência privativa da União.
- B)integralmente constitucional, pois os Estados possuem o poder de dispor sobre matérias não reservadas ou reguladas por outros entes federativos.
Errada: o projeto não é integralmente constitucional, pois toca matéria trabalhista federal.
- C)constitucional na parte em que autoriza o afastamento de empregados sem desconto, pois os entes federativos possuem a competência comum de promover políticas de saúde.
Errada: competência comum em saúde não autoriza o Estado a regular vínculo de emprego privado.
- D)constitucional na parte em que dispensa os empregados celetistas de se afastarem de seus postos de trabalho para realizarem exames preventivos de câncer, caso o mesmo benefício seja concedido aos servidores públicos efetivos.
Errada: eventual benefício a servidor público não valida regra trabalhista para empregados privados.
- E)constitucional na parte em que veda a interrupção do fornecimento dos serviços, pois compete aos Estados, em conjunto com a União, legislar de maneira concorrente sobre relações de consumo.
Errada: relações de consumo não autorizam, por si só, toda disciplina estadual sobre regime de concessões e interrupção de serviços.
Gabarito: A
A competência para legislar sobre direito do trabalho é privativa da União. Por isso, lei estadual que concede dia de afastamento remunerado a empregado celetista de empresa privada invade competência federal, ainda que o objetivo seja proteger a saúde.