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Direito Constitucional · VUNESP · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Dados do Censo Escolar 2018 indicam que 40% dos professores das redes públicas estaduais são temporários. Embora a forma de contratação seja menos custosa para a Administração Pública, estudiosos sustentam que o profissional não tem oportunidade de criar vínculo com as turmas e ter direito à estabilidade. Considerando os modelos de contratação previstos na legislação, assinale a alternativa correta.

Gabarito: C

A Constituição admite contratação temporária no serviço público, mas isso é exceção, não regra. O ponto central está no art. 37, IX: a contratação por tempo determinado só cabe para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. Em português claro, não é para virar porta giratória de mão de obra permanente, porque isso esvazia a lógica do concurso e da impessoalidade. No caso de professores, o problema aparece quando a Administração usa temporários de forma contínua para suprir uma demanda que é, na prática, permanente. Aí a contratação deixa de ter cara de excepcional e passa a ser um remendo permanente. Por isso, a doutrina e o controle de legalidade cobram planejamento do ente público, para que a regra seja a contratação efetiva por concurso e a temporária fique reservada ao que realmente é transitório. A alternativa correta é a C porque ela traduz exatamente essa ideia: a contratação temporária pressupõe necessidade temporária de excepcional interesse público, mas o uso contínuo deve ser desestimulado e depende de planejamento. Isso combina com a lógica constitucional do concurso público do art. 37, II, e com a excepcionalidade do inciso IX. Já a estabilidade, em regra, é dos servidores efetivos que cumprem os requisitos constitucionais. O temporário não entra nessa lógica, pois sua relação com a Administração é precária e limitada no tempo. Ou seja: temporário é muleta, não estrutura.

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