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Direito Constitucional · UFPel-CES · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

A respeito das políticas de saúde implementadas com a Constituição de 1988 no Brasil, considere as afirmativas. I) O SUS foi estabelecido como um sistema descentralizado e hierarquizado. II) O governo federal é encarregado pelas funções de financiamento, formulação da política nacional de saúde e coordenação de ações. III) O Ministério da Saúde, em função da descentralização, está restrito à tomada de decisões apenas na esfera federal. IV) Como a União, estados e municípios têm suas atribuições relacionadas à saúde definidas na Constituição e legislação infraconstitucional, os recursos orçamentários são também organizados por cada ente, havendo pouca relevância nos sistemas de transferências de recursos. Está(ão) correta(s),

Gabarito: D

A saúde na Constituição de 1988 virou direito de todos e dever do Estado, com organização por meio do SUS, previsto no art. 198 da CF. A lógica do sistema é bem clara: descentralização, atendimento integral e participação da comunidade, tudo com direção única em cada esfera de governo. Em outras palavras, nada de um “superministério” mandando sozinho em tudo: há repartição de tarefas entre União, estados e municípios. A assertiva I está correta porque o SUS é, de fato, um sistema descentralizado e hierarquizado, como manda o art. 198 da Constituição e a Lei 8.080/1990. Isso significa que os serviços se organizam em níveis de complexidade e com cooperação entre os entes federativos. A assertiva II também está correta em linhas gerais: a União, por meio do governo federal e do Ministério da Saúde, exerce papel de coordenação nacional, formulação da política nacional de saúde e relevante função de financiamento. A própria Lei 8.080/1990 atribui à direção nacional do SUS a definição de diretrizes e a coordenação do sistema em âmbito nacional. Já a III erra porque o Ministério da Saúde não fica “preso” só à esfera federal; ele integra a direção nacional do SUS e influencia a política de saúde em nível nacional, com articulação com estados e municípios. A IV também erra feio: no SUS, os recursos são organizados com forte sistema de transferências intergovernamentais, inclusive com repasses fundo a fundo, então a ideia de pouca relevância das transferências contraria a Constituição, a EC 29/2000 e a LC 141/2012. Por isso, o gabarito é D: apenas I e II.

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