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Direito Constitucional · Instituto AOCP · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Paulo é espanhol e Maria é brasileira naturalizada e tiveram o filho João, nascido na Espanha. João foi registrado em repartição brasileira competente. Considerando as informações apresentadas e o que dispõe a Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa correta.

Gabarito: E

A Constituição trata a nacionalidade de forma bem objetiva no art. 12. Em regra, quem nasce no Brasil é brasileiro nato; quem nasce no exterior também pode ser nato em algumas hipóteses, e uma delas é justamente a de filho de pai ou mãe brasileira, desde que haja registro em repartição brasileira competente. Aqui, João nasceu na Espanha, mas foi registrado em repartição brasileira competente. Isso basta para enquadrá-lo como brasileiro nato, sem importar se a mãe é brasileira nata ou naturalizada. Perceba o ponto central: a CF/88 não exige que o genitor brasileiro seja nato. Basta ser brasileiro, inclusive naturalizado, para incidir a regra do art. 12, I, "c", primeiro trecho. A lógica é simples: o vínculo de nacionalidade do filho, nessa hipótese, nasce do registro consular ou em repartição brasileira competente. Por isso, o gabarito é a letra E. João é brasileiro nato, ainda que a mãe seja brasileira naturalizada. A naturalização da mãe não impede o enquadramento constitucional do filho como nato, porque o texto constitucional fala em pai ou mãe brasileiros, sem distinguir o tipo de nacionalidade do genitor brasileiro. O detalhe que costuma derrubar candidatos é confundir brasileiro nato com naturalizado e achar que filho de naturalizado herda a mesma condição. Não herda automaticamente. O critério decisivo, aqui, é o local de nascimento somado ao registro em repartição brasileira competente.

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