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Direito Constitucional · INQC · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

No Estado Beta, foi promulgada a lei estadual nº XXX/2022, que obrigava os noticiários de TV e os jornais sediados no Estado a divulgarem fotos de crianças desaparecidas. Ademais, o artigo 2º da citada lei determinava que na imagem divulgada deveria constar o nome da criança e o Disque Denúncia 100. Ao tomar ciência da norma, o Governador do Estado ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a lei, alegando que o Estado não possui competência para impor essa obrigação, sob pena de ofensa ao princípio da livre iniciativa. Com base no enunciado e levando-se em conta a competência concorrente da União, Estados e Distrito Federal para legislarem sobre proteção à infância e à juventude, assinale a alternativa correta.

Gabarito: C

A Constituição permite a competência concorrente para legislar sobre proteção da infância e da juventude, nos termos do art. 24, XV. Isso significa que a União edita normas gerais e os Estados podem suplementar a disciplina, sem contrariar a moldura constitucional. Até aqui, tudo bem. O problema da questão é que a lei estadual foi além de uma regra protetiva geral e passou a impor uma obrigação específica aos veículos de comunicação, interferindo na atividade econômica e na liberdade de informação e imprensa. Em temas assim, o STF costuma olhar com lupa para o equilíbrio entre proteção integral da criança e outros valores constitucionais, como a livre iniciativa e a liberdade de comunicação. Proteger a infância é mandatório, claro, mas o Estado não pode criar, por conta própria, um dever de divulgação diária e compulsória de conteúdo jornalístico para TV e jornais, sem base em competência adequada e sem respeitar a estrutura constitucional da matéria. Por isso, a alternativa C está correta: a lei estadual é inconstitucional. Ela não é só uma lei “bonitinha” de proteção à criança; ela impõe obrigação concreta ao setor de mídia, afetando a forma de funcionamento dos veículos de comunicação e ultrapassando os limites da competência estadual. Em prova, quando a banca mistura proteção da criança com imposição direta à imprensa, desconfie: nem tudo que protege é automaticamente válido. Resumo de ouro: competência concorrente não é cheque em branco. O Estado pode suplementar, mas não pode transformar uma política de proteção em comando invasivo sobre atividade econômica e informativa.

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