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Direito Constitucional · FUNDATEC · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Patrícia, nascida no Brasil de pais brasileiros, radicou-se nos Estados Unidos da América, onde se casou, em 2005, com James, razão pela qual obteve o denominado "green card", visto de permanência naquele país, que lhe garantia o exercício de direitos civis. Em 2009, Patrícia decidiu requerer a nacionalidade norte-americana, ocasião em que declarou renunciar e abjurar fidelidade a qualquer Estado ou soberania. Vários anos se passaram e, em 2016, após uma discussão conjugal, Patrícia desferiu dois tiros em James, um na cabeça e outro nas costas, ferindo-o de morte. Poucos dias depois, Patrícia embarcou para o Brasil, de onde jamais voltaria aos Estados Unidos da América, em que fora formalmente acusada do homicídio do seu marido. Em 2018, foi aberto de ofício pelo Ministério da Justiça procedimento administrativo que culminou com a declaração de perda da nacionalidade brasileira de Patrícia. Em 2020, foi requerida pelos Estados Unidos da América a prisão de Patrícia para fins de extradição pela prática de crime doloso contra a vida de nacional norte-americano. Diante do contexto apresentado, assinale a alternativa correta.

Gabarito: B

A Constituição trata a nacionalidade com bastante carinho, mas sem dar passe livre para “trocar de camisa” e continuar com todos os privilégios. Em regra, o brasileiro nato perde a nacionalidade se adquirir outra, salvo duas exceções do art. 12, 4, II, da CF: reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira ou imposição de naturalização pela lei estrangeira para permanência/residência ou exercício de direitos civis. Aqui, Patrícia foi para os EUA, pediu a nacionalidade norte-americana e ainda declarou renúncia e fidelidade a qualquer soberania. Ou seja, não foi uma hipótese de nacionalidade originária nem de naturalização compulsória. Por isso, o procedimento administrativo instaurado pelo Ministério da Justiça podia culminar na perda da nacionalidade brasileira, nos termos constitucionais e da regulamentação legal. Uma vez perdida a nacionalidade, Patrícia deixa de ser brasileira nata e passa a ser tratada, para esse fim, como estrangeira. E aí entra o ponto da extradição: brasileiro nato não é extraditado, mas estrangeiro pode ser extraditado, desde que preenchidos os requisitos legais e constitucionais. Como o homicídio foi praticado após a naturalização norte-americana e a perda da nacionalidade brasileira já havia sido declarada, o pedido dos EUA podia ser analisado e, em tese, autorizado. É por isso que o gabarito é a alternativa B.

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