Ao proferir sentença em determinada relação processual, que opunha particular e certo ente federativo, o Magistrado observou que a interpretação do texto constitucional exigia a identificação dos significados passíveis de serem atribuídos ao significante interpretado e, após a resolução das conflitualidades intrínsecas que se manifestam no curso da interpretação, a escolha do significado deve preponderar. Em se tratando de norma constitucional individualizadora de direito fundamental, ainda é preciso proceder à sua concordância prática com outras normas constitucionais que assegurem direitos da mesma natureza. A partir das premissas que direcionaram a argumentação do Magistrado, é correto afirmar que ele
- A)afasta a existência de um conteúdo essencial do direito fundamental.
Incorreta: a técnica não afasta necessariamente um núcleo essencial do direito.
- B)entende que a posição definitiva do direito fundamental não carece da incidência da restrição para o seu surgimento.
Incorreta: a posição definitiva depende da ponderação das restrições e colisões.
- C)reconhece a existência de limites imanentes para os direitos fundamentais.
Incorreta: limites imanentes não descrevem bem a ideia de conteúdos prima facie ponderáveis.
- D)é adepto da tópica pura na resolução dos problemas concretos submetidos ao julgamento.
Incorreta: a argumentação não adota tópica pura, mas uma metodologia de ponderação constitucional.
- E)entende que os direitos fundamentais apresentam conteúdos prima facie.
Correta: direitos fundamentais são tratados como posições prima facie que exigem concordância prática.
Gabarito: E
Na teoria dos direitos fundamentais como princípios, há posições prima facie que podem ceder após ponderação e concordância prática com outros direitos constitucionais. A posição definitiva surge depois da solução das colisões no caso concreto.