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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Sentença proferida pela vara Federal condenou a União e o Estado de Goiás ao fornecimento de medicamento oncológico de alto custo. Foi apresentado laudo fundamentado elaborado pelo médico do paciente, Justificando-a imprescindibilidade e a necessidade do medicamento, bem como a inexistência de outro, com eficácia, fornecido pelo SUS. Foi comprovada a impossibilidade de o autor arcar com o custo do medicamento, que está registrado na Anvisa. O Estado de Goiás apela, alegando sua ilegitimidade passiva, por se tratar de medicamento de alto custo a ser fornecido pela União apenas. A União apela sob o fundamento de que o medicamento não consta da lista do SUS. Considerando o caso hipotético, é correto afirmar que:

Gabarito: D

Aqui vale separar duas ideias que costumam cair juntas e confundir muita gente. A primeira é a solidariedade entre os entes federativos na saúde: União, estados e municípios podem responder conjuntamente pelo fornecimento do tratamento, porque o direito à saúde é dever de todos eles, conforme a CF, art. 196, e o STF no Tema 793. Então, o Estado de Goiás não escapa só dizendo "isso é com a União". Mas a segunda ideia é outra: não basta pedir qualquer medicamento e pronto. Para remédio não incorporado ao SUS, o Judiciário exige, em regra, requisitos bem definidos, como registro na Anvisa, laudo médico fundamentado, demonstração de necessidade, inexistência de alternativa terapêutica no SUS e, conforme a linha consolidada no STJ (Tema 106), outros filtros que evitam que a decisão vire um cheque em branco. A lista do SUS não é enfeite: ela importa, sim. No caso, a sentença acertou ao não acolher a ilegitimidade passiva do Estado, porque a responsabilidade é solidária. Só que errou ao impor à União o fornecimento sem observar corretamente os parâmetros para medicamentos fora da lista do SUS. Por isso, o recurso do Estado deve ser negado, e o da União deve ser provido. Resumo de prova: em saúde, a solidariedade facilita a cobrança contra qualquer ente; já o fornecimento de medicamento exige cumprir os requisitos legais e jurisprudenciais. Quando o enunciado mistura os dois temas, a banca quer ver se você sabe não cair no "todo mundo paga tudo sempre".

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