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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Em uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, a saúde preventiva, como serviço público essencial, era bastante precária e sua prestação se dava por meio de terceirização e contratos temporários mediante Recibo de Pagamento de Autônomo. Após Recomendação do MPT, o Poder Executivo resolveu abrir certame público para admissão de novos agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias, atividades consagradas no Art. 198, §4º ao §11, da CRFB/1988, regulamentadas pela Lei nº 11.350/2006, visando prover os cargos existentes. O ente federativo, desde antes de 1988, tem lei municipal, pela qual os vínculos de trabalho no serviço público são firmados pelo regime jurídico único estatutário. Ocorre que, mediante termo aditivo ao Edital lançado em 2015, o referido ente local alterou o regime jurídico, passando-o para contrato temporário de dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, mediante modelo diverso do que prevê o arcabouço normativo acima apontado, mantendo, contudo, as demais regras fixadas no Edital. Mediante Ação Civil Pública, promovida pela Defensoria Pública Estadual, na defesa do serviço público contínuo, confiável e de qualidade, as desconformidades foram sanadas. A respeito do caso apresentado, é correto afirmar que:

Gabarito: E

A questão mistura dois assuntos clássicos: o regime jurídico dos servidores e a disciplina específica dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate a endemias. Esses agentes têm regramento próprio na Constituição e na Lei nº 11.350/2006, com ingresso por processo seletivo público, e não por arranjos improvisados de terceirização ou RPAs como se fosse “gambiarra administrativa”. O ponto-chave é que o art. 39 da CF, na redação dada pela EC nº 19/1998, ficou com a eficácia suspensa por liminar na ADI 2135. O STF entendeu que havia vício formal no processo de alteração constitucional, e, por isso, a suspensão produz efeitos ex nunc, isto é, dali para frente, sem desfazer automaticamente tudo o que já existia antes. É exatamente essa combinação que a alternativa E traz. Além disso, a Lei nº 11.350/2006 trata desses profissionais de forma específica, exigindo processo seletivo público e observância das regras constitucionais e legais da área. Portanto, o município não podia simplesmente inventar um contrato temporário de dois anos, prorrogável por mais dois, se isso contrariasse o modelo normativo aplicável. Em resumo: a banca está testando se voce sabe que a ADI 2135 atingiu a eficácia do art. 39 da CF com efeitos prospectivos, e que a Administração Pública não pode trocar o regime jurídico no meio do jogo para contornar a disciplina constitucional e legal.

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