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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Antônio, motorista do Município Alfa, ao se dirigir ao trabalho conduzindo o veículo de sua repartição, por agir de maneira imprudente, atropelou João, que atravessava a faixa de pedestres no momento em que a sinalização obstava o avançar do veículo conduzido por Antônio. Considerando os termos dessa narrativa, é correto afirmar, à luz da ordem constitucional, que o Município Alfa:

Gabarito: D

Aqui o ponto central é a responsabilidade civil do Estado por ato de agente público. A Constituição, no art. 37, § 6º, diz que as pessoas jurídicas de direito público respondem pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Isso significa que não importa, de início, se o agente agiu com culpa leve, culpa grave ou até dolo: para a vítima, o foco é o dano, a conduta do agente e o nexo causal. No caso narrado, Antônio era motorista do Município Alfa e estava conduzindo veículo da repartição. Mesmo tendo agido de forma imprudente, ele atuava como agente público, no exercício da função, usando bem público. Se sua conduta causou o atropelamento de João, surge a responsabilidade objetiva do Município perante a vítima. Depois, se houver culpa ou dolo do servidor, o Município pode buscar o direito de regresso contra ele. Perceba a lógica prática: a vítima não precisa primeiro tentar cobrar do servidor, nem provar que ele agiu com dolo. A Constituição facilita a reparação do dano causado pelo Estado ou por quem atua em seu nome. É por isso que a alternativa D está correta: o Município pode ser responsabilizado porque Antônio utilizou o veículo da repartição e agiu como agente público. A doutrina e a jurisprudência do STF seguem essa linha da responsabilidade objetiva do Estado, com base na teoria do risco administrativo, admitindo apenas excludentes como culpa exclusiva da vítima, caso fortuito externo ou força maior, conforme a situação concreta.

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