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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Antônio e Maria tomaram posse nos cargos de provimento efetivo X e Y, ambos enquadrados na carreira alfa dos servidores públicos do Município Teta. Poucos anos depois, Antônio passou a ocupar o cargo W, em razão de promoção para a classe imediatamente superior àquela que ocupava, enquanto Maria foi promovida para o cargo Z, que corresponde ao segundo nível da carreira beta, também do Município Teta. Acresça-se que ambas as promoções observaram os requisitos estabelecidos pela legislação municipal. Sobre a hipótese apresentada, compatibilizando a legislação municipal com a Constituição da República, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

A Constituição exige concurso público para a investidura em cargo efetivo. A única folga nessa regra aparece dentro da própria carreira, quando a lei prevê formas de evolução funcional, como promoção, progressão ou ascensão na mesma estrutura. Em outras palavras: subir de nível na mesma carreira pode, se a legislação permitir; pular para outra carreira, não pode, mesmo que o nome bonito da movimentação seja "promoção". No caso, Antônio saiu do cargo X e foi promovido para W, que era a classe imediatamente superior dentro da carreira alfa. Isso é compatível com o art. 37, II, da Constituição, porque ele continuou na mesma carreira, apenas evoluindo funcionalmente conforme os requisitos legais. Já Maria foi promovida do cargo Y, da carreira alfa, para o cargo Z, que pertence à carreira beta. Aqui mora o problema: ela não apenas subiu de degrau, mas mudou de escada. A Constituição não admite provimento em cargo de carreira diversa sem novo concurso. Esse entendimento é consolidado pelo STF na Súmula Vinculante 43, que veda formas de provimento que permitam ingresso em cargo que não integra a carreira anteriormente ocupada. Por isso, o gabarito é a letra C: a promoção de Antônio foi regular, enquanto a de Maria foi irregular. A lei municipal até pode tentar chamar isso de promoção, mas a Constituição olha o conteúdo do ato, não o rótulo simpático que ele recebeu.

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