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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Ingo, de nacionalidade alemã, era casado com Brigitte, de nacionalidade austríaca. Dessa união, nasceu Júlia, que se naturalizou mexicana. Ingo tinha um apartamento no Brasil, onde a família passava férias regularmente e que passou a ser a residência de Júlia nos três últimos anos, considerando a sua afinidade com a cultura brasileira. Com o falecimento de Ingo, Júlia consultou um advogado a respeito da aplicação, ou não, da lei brasileira, na disciplina da sucessão do referido apartamento. À luz da Constituição da República de 1988, o advogado respondeu corretamente que a sucessão do referido apartamento

Gabarito: D

A regra geral do Direito Internacional Privado, no Brasil, é que a sucessão por morte segue a lei do último domicílio do falecido, conforme o art. 10 da LINDB. Só que a Constituição cria uma proteção especial para bens de estrangeiros situados no Brasil, no art. 5, XXXI, permitindo a aplicação da lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, quando isso for mais favorável do que a lei pessoal do de cujus. O ponto importante é que, em prova, a banca gosta de mostrar um bem no Brasil e tentar fazer você cair na tentação do "sempre aplica a lei brasileira". Calma: não é automático. A incidência depende das circunstâncias do caso concreto e da finalidade protetiva da norma constitucional, que busca favorecer a família em situação sucessória internacional. No caso narrado, a resposta correta foi a que apontou a aplicação da lei brasileira em razão das circunstâncias concretas da sucessão do apartamento, porque a questão foi montada exatamente para exigir a leitura conjunta da Constituição com a lógica protetiva do tema. A banca FGV costuma explorar essa análise contextual, fugindo do absolutismo das alternativas que falam em "sempre" ou em regra única e rígida. Então, guarde a ideia central: sucessão internacional no Brasil não se resolve no grito, mas na combinação entre a regra do domicílio, a proteção constitucional e a comparação com a lei pessoal do falecido. É o típico tema em que uma palavrinha como "sempre" já entrega a armadilha.

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