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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

A Lei estadual nº XX dispôs que determinados artigos deveriam ser regulamentados pelo Governador do Estado. Por essa razão, o Governador editou o Decreto nº YY, regulamentando-os. O Deputado Estadual João, ao analisar o teor do Decreto nº YY, concluiu que ele era francamente contrário aos balizamentos oferecidos pela Lei estadual nº XX. Por essa razão, consultou seu advogado a respeito da possibilidade de a Assembleia Legislativa adotar alguma providência em relação ao ocorrido. O advogado respondeu que a Assembleia Legislativa pode

Gabarito: A

Quando a lei manda o Executivo regulamentar, o decreto tem uma missão bem humilde: detalhar a execução da lei, sem inventar regra nova nem desrespeitar os limites do texto legal. Se o Governador extrapola e edita um decreto que contraria a lei regulamentada, ele sai da função de regulamentar e entra na de inovar indevidamente no ordenamento. Nessa hipótese, a providência típica do Poder Legislativo é sustar os atos normativos do Executivo que exorbitem do poder regulamentar. No plano federal, isso está expresso no art. 49, V, da Constituição; nos Estados, aplica-se a simetria, de modo que a Assembleia Legislativa pode adotar medida equivalente, conforme a Constituição estadual. Por isso, o gabarito é a letra A: a Assembleia pode suspender a eficácia do decreto ilegal/ilegítimo, porque ele afronta os balizamentos legais e excede o poder regulamentar. A lógica aqui é simples: se o decreto passou do ponto, o Legislativo pode segurar a caneta antes que o excesso continue produzindo efeitos. A banca costuma cobrar essa diferença entre controlar politicamente o excesso do decreto e obrigar o Executivo a "consertar" o ato. O Legislativo não reescreve decreto do Executivo; ele pode sustar seus efeitos quando houver abuso regulamentar.

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