← Questões de Direito Constitucional

Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

João, solteiro convicto, tinha o sonho de ser pai. Com esse objetivo, procurou uma clínica especializada no exterior e realizou a técnica de fertilização in vitro. A gestação por substituição, por sua vez, foi realizada por Marie, pessoa com a qual João não mantinha qualquer relação afetiva. Logo após o parto, a criança XX foi entregue a João, que retornou ao território brasileiro e a registrou apenas em seu nome. Como João é servidor público, requereu ao Departamento de Recursos Humanos da repartição pública a fruição de licença-maternidade, considerando o ônus que assumiria, de cuidar, sozinho, de XX. Ao analisar a ordem constitucional, a autoridade competente explicou corretamente a João que ele:

Gabarito: E

Aqui o ponto principal é lembrar que licença-maternidade, embora tenha nome ligado à mãe, protege antes de tudo a criança e a organização do cuidado nos primeiros meses de vida. A Constituição trata a criança como prioridade absoluta, no art. 227, e isso impede uma leitura puramente biológica ou burocrática do benefício quando o caso concreto mostra que é preciso garantir a proteção integral do recém-nascido. No caso, João é pai solo e assumiu sozinho os cuidados de XX logo após o parto. Se a finalidade da licença é permitir a presença constante do responsável nos primeiros meses, faz sentido reconhecer o direito a ele, especialmente quando não há outra pessoa que vá exercer esse cuidado imediato. O nome da licença não pode virar uma armadilha contra a própria finalidade do instituto. Além disso, os direitos sociais ligados à proteção da maternidade não servem apenas à mulher em si, mas também à tutela da criança e ao vínculo de cuidado no início da vida. Por isso, a resposta correta é a letra E: João faz jus à licença-maternidade, porque a prioridade absoluta da criança e a proteção social do recém-nascido justificam a fruição do benefício pelo pai solo. Em prova de FGV, vale guardar a ideia central: quando o caso envolve criança e proteção integral, a banca costuma preferir uma leitura teleológica da Constituição, e não uma leitura grudada apenas no rótulo do benefício.

Continue treinando

Questões relacionadas