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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Joana era prefeita do Município Alfa, e Maria, sua filha, pretendia iniciar carreira política concorrendo ao cargo de vereadora do Município Alfa na próxima eleição. Ao tomar conhecimento desse objetivo e temeroso pela grande popularidade de Maria, um partido político de oposição espalhou o boato de que ela não poderia se candidatar pelo fato de sua mãe ser Prefeita do Município. Sobre o referido boato, à luz da sistemática constitucional, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

Aqui a chave é lembrar da regra de inelegibilidade por parentesco prevista no art. 14, §7º, da Constituição. Ela existe para evitar que uma família transforme cargo eletivo em herança de gabinete, especialmente no mesmo território eleitoral. A lógica é simples: se alguém já ocupa o Executivo, seus parentes próximos não podem usar essa influência para disputar eleição na mesma circunscrição, salvo se o titular já estiver no segundo mandato e o parente for candidato à reeleição, hipótese que a própria Constituição admite. No caso, Joana é prefeita de Alfa, e Maria quer ser vereadora no mesmo Município. Como mãe e filha estão ligadas por parentesco em linha reta, e a disputa seria no mesmo território em que Joana exerce a chefia do Executivo municipal, incide a inelegibilidade reflexa. Isso significa que o boato espalhado pelo partido de oposição tem fundamento constitucional. O STF trata essa matéria como inelegibilidade constitucional automática, ligada à moralidade e à normalidade das eleições, não como simples restrição política qualquer. Então, não é correto dizer que a candidatura deve ser analisada apenas pelo voto popular, porque a própria Constituição já fez um filtro prévio. Resumindo: em eleição municipal, parente de prefeito não pode concorrer no mesmo município, salvo exceção constitucional específica.

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