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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Pedro, recém-empossado prefeito do Município Beta, teve como uma de suas principais plataformas eleitorais a necessidade de aprimorar a educação no âmbito do território municipal, quer pública, quer privada. Por tal razão, entre outros projetos, consultou sua assessoria a respeito da possibilidade de encaminhar recursos públicos para determinada escola privada, sabidamente confessional, que não tinha fins lucrativos e direcionava os excedentes financeiros para a atividade de educação. Considerando os balizamentos estabelecidos pela ordem constitucional, sua assessoria respondeu, corretamente, que:

Gabarito: B

A Constituição trata esse tema com um certo carinho: a regra é que o dinheiro público vai para a escola pública, mas há uma exceção bem clara para escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, desde que elas cumpram os requisitos do art. 213 da CF. Em especial, elas precisam não ter fins lucrativos e aplicar seus excedentes financeiros na educação.\n\nAlém disso, a Constituição exige uma espécie de "freio de segurança" para evitar que o patrimônio suma do mapa: no caso de encerramento das atividades, o patrimônio da entidade deve ter destinação específica prevista constitucionalmente. É exatamente esse ponto que aparece na alternativa B.\n\nEntão, no caso narrado, a escola privada confessional, sem fins lucrativos e que reinveste o excedente na própria atividade educacional, pode sim receber recursos públicos, desde que respeitadas as condições constitucionais. O fundamento está no art. 213 da CF, que foi pensado para permitir apoio estatal a essas instituições sem abandonar a lógica da finalidade pública da educação.\n\nEm resumo: laicidade do Estado não significa proibição absoluta de repasse, e o ponto decisivo não é a religião da escola, mas o atendimento aos requisitos constitucionais.

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