← Questões de Direito Constitucional

Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

A União firmou convênio com o Estado Alfa, por meio do qual repassou recursos federais para a construção de unidade prisional no território deste ente federativo. Os recursos foram regularmente repassados, mas a unidade prisional não foi construída e sequer houve prestação de contas. Valendo-se de cláusula prevista no referido convênio, a União comunicou ao Estado Alfa que iria inseri-lo no cadastro de inadimplentes e deduzir o valor, transferido e não aplicado, do montante a ser repassado, relacionado às cotas desse ente federativo no Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal. Preocupado com as consequências da medida a ser adotada pela União, o Governador do Estado Alfa consultou o Procurador-Geral do Estado em relação à correção desse proceder, considerando as competências constitucionais da União. O Procurador-Geral do Estado esclareceu corretamente que

Gabarito: C

Aqui a ideia central é simples: quando a União repassa verba para um convênio, o dinheiro continua sujeito a controle e prestação de contas. Se o recurso foi transferido, mas a obra não saiu do papel e ainda por cima nem houve prestação de contas, o Estado fica exposto às consequências jurídicas do inadimplemento. Nesse tipo de situação, a lógica é de responsabilização pelo uso indevido ou pela não comprovação da aplicação do dinheiro público, e o prejuízo pode ser tratado como presumido, ou seja, dispensando demonstração minuciosa de um dano “novo” além da própria irregularidade. Por isso, a alternativa C é a correta no gabarito: a cláusula contratual não é um enfeite de papel, ela serve para dar consequência ao inadimplemento e, nessa linha, o dano é considerado in re ipsa, isto é, decorre do próprio fato de os valores terem sido repassados e não aplicados como deveriam. Em termos práticos, se o Estado recebeu e não executou nem prestou contas, não faz sentido exigir uma prova heroica do prejuízo como se o dinheiro tivesse evaporado por mágica. Também é importante lembrar que o controle dessas verbas passa por mecanismos próprios de fiscalização e cobrança do ressarcimento, e não depende necessariamente de uma decisão prévia do TCU para que a irregularidade exista. O ponto da questão é justamente separar o controle da despesa da burocracia excessiva: a falta de prestação de contas já aciona a responsabilidade. As outras alternativas tentam empurrar a ideia de que a União estaria impedida de agir ou que precisaria sempre esperar uma etapa formal específica para só então cobrar. A banca costuma gostar dessa troca de foco: ela coloca uma situação de controle financeiro e tenta fazer você pensar em pacto federativo, quando o núcleo é prestação de contas e responsabilidade pelo uso da verba.

Continue treinando

Questões relacionadas