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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Ptolomeu é servidor do Município do Rio de Janeiro que não realizou concurso público e ocupa cargo exclusivamente em comissão, de modo que é correto afirmar acerca de seu regime jurídico funcional, à luz das disposições constitucionais que o mencionado agente público:

Gabarito: A

Os cargos em comissão são uma exceção importante no regime constitucional dos servidores públicos. A regra geral é que cargos públicos sejam providos por concurso, mas a Constituição permite cargos em comissão para funções de direção, chefia e assessoramento. É exatamente o que acontece com Ptolomeu: por ocupar cargo exclusivamente em comissão, ele não está ali por concurso e exerce uma função de confiança, típica da estrutura administrativa. O ponto central está no art. 37, V, da Constituição Federal, que diz que as funções de direção, chefia e assessoramento são as próprias dos cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração. Por isso, esse tipo de vínculo não gera estabilidade, nem as mesmas garantias dos servidores efetivos. Em outras palavras: cargo em comissão é o famoso “entra e sai” do sistema, porque depende da confiança da autoridade nomeante. Também vale lembrar que ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, em regra, não se submetem ao mesmo regime previdenciário do servidor efetivo, porque a Constituição trata de forma diferenciada a filiação ao regime próprio. Além disso, eles não adquirem estabilidade após três anos, e podem ser exonerados sem necessidade de processo administrativo disciplinar, justamente porque a exoneração é ad nutum. Assim, o gabarito está na alternativa A: ela descreve corretamente a natureza constitucional do cargo em comissão. As demais alternativas tentam “colar” atributos dos servidores efetivos ou estáveis a alguém que, por definição, ocupa função de confiança e não cargo efetivo.

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